"pode haver apenas uma coisa mais importante"

TUDO IMPORTA IGUALMENTE 4
“As coisas que mais importam nunca devem ficar à mercê de coisas que
importam menos.”
Johann Wolfgang von Goethe
A igualdade é um ideal valoroso buscado em nome da justiça e dos direitos
humanos. No mundo real dos resultados, contudo, as coisas nem sempre são
iguais. Não importa como os professores deem notas, dois estudantes não são
iguais. Não importa quão talentosas sejam, duas pessoas nunca são iguais. Meia
dúzia é igual a seis, e as pessoas devem, absolutamente, ser tratadas de modo
igual, mas, no mundo das conquistas, nem tudo importa da mesma forma.
A igualdade é uma mentira.
Compreender isso é a base de todas as melhores decisões.
“As coisas mais importantes nem sempre são as que gritam mais alto.”
Bob Hawke
Então, como decidir? Quando você tem muito a fazer no dia, como decide
o que priorizar? Quando éramos crianças, em geral, fazíamos as coisas que
precisávamos quando chegava a “hora de fazê-las”. Hora de tomar café da
manhã. Hora de ir à escola, hora da lição de casa, hora de cumprir os afazeres,
hora do banho, hora de dormir. Depois, conforme crescemos, ganhamos uma
margem de arbítrio. “Você pode sair para brincar se terminar sua lição de casa
antes do jantar.” Mais tarde, por sermos adultos, tudo ficou arbitrário. Tudo virou
escolha nossa. E, quando nossas vidas são definidas por nossas escolhas, a questão
mais importante é: como fazer boas escolhas?
O complicado é que, quanto mais o tempo passa, parece que mais coisas
do tipo “simplesmente têm que ser feitas” se acumulam. Atarefados demais,
ocupados demais, compromissados demais. “Sempre atrasados” torna-se,
esmagadoramente, nossa condição coletiva.
É aí que a batalha pelo caminho certo fica dura e frenética. Sem uma
fórmula clara para tomarmos decisões, retornarmos a maneiras conhecidas e
confortáveis de decidir o que fazer. Como resultado, selecionamos,
atropeladamente, estratégias que enfraquecem nosso sucesso. Pimboleando ao
longo do dia feito um personagem confuso de filme B de terror, acabamos
correndo escada acima quando deveríamos, ao contrário, escapar pela porta da
frente. A melhor decisão é trocada por qualquer decisão, e o que deveria ser
progresso simplesmente vira uma armadilha.
Quando tudo parece urgente e importante, tudo parece igual. Ficamos
ativos e ocupados, o que não nos leva de verdade para mais perto do sucesso, e
superocupados raramente damos conta dos negócios.
É como Henry David Thoreau disse: “Não basta ocupar-se, como se
ocupam as formigas. A questão é com o que nos ocupamos”. Nocautear centenas
de tarefas implica uma substituição pobre para fazer uma única tarefa que
realmente tenha significado. Nem tudo importa igualmente, e o sucesso não é um
jogo vencido por quem faz mais. Entretanto, é assim que a maioria joga no dia a
dia.
MUITO A SER FEITO EM RELAÇÃO A NADA
Listas de tarefas são um ícone da indústria da organização-do-tempo-parao-
sucesso. Com nossos quereres e os desejos dos outros voando contra nós por
todos os lados, rabiscamos tudo impulsivamente em pedaços de papel, em
momentos de clareza, ou os estruturamos metodicamente em caderninhos de
anotações. Pessoas que planejam o tempo reservam espaço de valor para
elaborar listas de tarefas diárias, semanais e mensais. São diversos os aplicativos
que levam essas listas a tiracolo nos celulares, e programas de computador as
oferecem logo no menu. Parece que, aonde quer que vamos, somos encorajados
a fazer listas – e, embora as listas sejam inestimáveis, elas têm um lado sombrio.
Enquanto servem como uma útil coleção de nossas melhores intenções, as
listas também nos tiranizam com coisas triviais, sem importância, as quais nos
sentimos obrigados a cumprir só porque estão na lista; assim, naturalmente,
muitos de nós têm uma relação de amor e ódio com nossas listas.
Se você permetir, elas vão definir prioridades tanto quanto uma caixa
abarrotada de emails dita seu dia, ainda que a maioria deles seja sem
importância, disfarçados como prioritários. Resolver essas tarefas na ordem em
que as recebemos é agir como se uma engrenagem que range necessitasse
imediatamente de óleo. Mas, como notou, oportunamente, o primeiro-ministro
australiano: “As coisas mais importantes nem sempre são as que gritam mais
alto”.
Empreendedores agem de forma diferente. Eles têm olhos para o
essencial. Eles pausam por tempo suficiente para decidir o que importa e
permitir que o importante guie seu dia. Empreendedores fazem mais cedo o que
outros planejam fazer mais tarde e adiam, talvez por tempo indeterminado, o que
outros fazem mais cedo. A diferença não está na intenção, mas no caminho
certo. Empreendedores sempre trabalham a partir de um senso claro de
prioridade.
Mantida num estado cru, como simples inventário, uma lista de tarefas
pode com facilidades desnorteá-lo. Uma lista de tarefas reúne simplesmente as
coisas que você acha que precisa fazer; a primeira coisa da lista é apenas a
primeira coisa em que pensou. Listas de tarefas, em si, não incorporam o
propósito do sucesso. Na verdade, em sua maioria, trata-se apenas de listas de
sobrevivência: ajudam a sobreviver ao dia e à vida, mas não fazem de cada dia
um trampolim para o próximo, de forma que você construa sequencialmente
uma vida de sucesso. Perder muitas horas checando uma lista de tarefas e
terminar o dia com uma lata de lixo cheia e uma mesa vazia não é nada virtuoso,
e não tem nada a ver com o sucesso. Em vez de uma lista de tarefas, você
precisa de uma lista de sucesso, criada propositalmente em torno de resultados
extraordinários.
Listas de tarefas tendem a ser longas; as de sucesso são curtas. Uma puxa
você para todas as direções; a outra aponta para uma direção específica. Uma é
um diretório desorganizado; a outra é uma diretiva organizada. Se uma lista não é
elaborada em torno do sucesso, então não é para ele que ela vai levar. Se sua lista
contém de tudo, provavelmente levará você a todos os lugares, menos aonde
você quer chegar de verdade.
Então, como uma pessoa de sucesso transforma uma lista de tarefas numa
lista de sucesso? Com tantas coisas que você poderia fazer, como decidir o que
importa mais a cada momento de seu dia?
Basta seguir o Juran.
JURAN DESVENDA O CÓDIGO
No fim dos anos 1930, um grupo de executivos da General Motors fez uma
descoberta intrigante que abriu a porta para uma inovação incrível. Um dos
leitores de cartão deles (dispositivo usado em computadores antigos) começou a
produzir dados sem nexo. Enquanto investigavam a máquina com problema,
encontraram um jeito de codificar mensagens secretas, algo de muito valor na
época. Desde que as infames máquinas codificadoras alemãs Enigma
apareceram, durante a Primeira Guerra Mundial, codificar e decodificar tornouse
assunto de alta segurança nacional, atiçando ainda mais a curiosidade do
público. Os executivos da GM rapidamente ficaram convencidos de que seu
código acidental era indecifrável. Um homem, consultor visitante da Western
Electric, não concordou com isso. Aceitou o desafio de decifrar o código, virou a
noite trabalhando, e o quebrou por volta de três da madrugada. Seu nome era
Joseph M. Juran.
Juran, mais tarde, citou esse incidente como o ponto de partida para querer
quebrar um código ainda mais complexo, realizando uma de suas grandes
contribuições à ciência e aos negócios. Como resultado do sucesso que obteve,
um executivo da GM o convidou para analisar as pesquisas sobre o controle
salarial, que seguia uma fórmula descrita pelo economista pouco conhecido
Vilfredo Pareto. No século XIX, Pareto escrevera um modelo matemático para
distribuição de proventos na Itália o qual afirmava que 80% da terra eram
propriedade de 20% das pessoas. A riqueza não se distribuía igualmente. Na
verdade, de acordo com Pareto, ela se concentrava de maneira bastante
previsível. Pioneiro no controle de qualidade, Juran notara que um punhado de
falhas costumava produzir a maioria dos problemas. Esse desequilíbrio não
somente fazia sentido em sua experiência, como ele suspeitava de que se tratava
de regra universal – e o que ele observara poderia ser ainda maior do que
imaginara.
Enquanto escrevia seu livro seminal Quality Control Handbook [Manual do
controle de qualidade], Juran queria dar um nome curto para o conceito de
“poucos vitais e muitos triviais”. Uma das diversas ilustrações no manuscrito foi
rotulada “o princípio de Pareto da distribuição desigual”. Outros a teriam
chamado Lei de Juran; ele preferiu Princípio de Pareto.
FIG 3 O Princípio de 80/20 afirma que o menor esforço leva aos maiores
resultados.
O Princípio de Pareto, no fim das contas, é tão real quanto a lei da
gravidade, embora a maioria das pessoas falhe em ver a gravidade da questão.
Não é apenas uma teoria. É uma certeza da natureza, provável e previsível, e
uma das maiores verdades relativas à produtividade já descobertas. Richard
Koch, no livro The 80/20 Principle, definiu-a melhor do que ninguém: “O
Princípio de 80/20 afirma que as menores causas e os menores investimentos ou
esforços geralmente levam aos maiores resultados, aos rendimentos mais
expressivos ou às mais valiosas recompensas”. Em outras palavras, no mundo do
sucesso, as coisas não são iguais. Uma pequena quantidade de causas cria a
maioria dos resultados. O investimento correto cria a maioria dos rendimentos.
Esforço seleto cria quase todas as recompensas.
FIG 4 Uma lista de tarefas se torna uma lista de sucesso quando você
estabelece prioridades.
Pareto nos aponta para uma direção muito clara: a maioria do que você
quer chegará graças à minoria do que você faz. Resultados extraordinários são
criados desproporcionalmente, por meio de menos ações do que a maioria das
pessoas supõe.
Não se atenha a números. A verdade de Pareto refere-se à desigualdade, e
embora seja, em geral, afirmada segundo a proporção de 80/20, pode, na
verdade, aparecer em diversas proporções. Dependendo das circunstâncias, pode
facilmente surgir como, digamos, 90/20, onde 90% do seu sucesso vêm de 20%
do seu esforço. Ou 70/10 ou 65/5. Mas entenda que todos esses valores trabalham
de acordo com o mesmo princípio. O grande insight de Juran foi que nem tudo
importa igualmente; algumas coisas importam mais que outras – muito mais.
Uma lista de tarefas se torna uma lista de sucesso quando você aplica o Princípio
de Pareto a ela.
O Princípio de 80/20 tornou-se uma das mais importantes regras para o
sucesso na minha carreira. Ele descreve o fenômeno que, como Juran, observei
em minha própria vida mais de uma vez. Algumas poucas ideias me deram boa
parte de meus resultados. Alguns clientes eram muito mais valiosos que outros;
um número pequeno de pessoas criava a maior parte do sucesso em meus
negócios; e um punhado de investimentos colocou as maiores somas em meus
bolsos. Para onde eu olhava, o conceito de distribuição desigual se destacava.
Quanto mais aparecia, mais eu prestava atenção nele – e, quanto mais eu
prestava atenção, mais ele aparecia. Finalmente, parei de pensar que era
coincidência e comecei a aplicá-lo como o princípio absoluto do sucesso que ele
é, e não apenas na minha vida, mas também no meu trabalho com os outros. E os
resultados foram extraordinários.
PARETO AO EXTREMO
Pareto prova tudo o que estou dizendo – mas tem uma pegadinha. Ele não
vai longe o bastante. Quero ir além. Quero que você leve o Princípio de Pareto
ao extremo. Quero que alcance a simplicidade, identificando os 20%, e depois
quero que seja ainda mais simples, encontrando o que há de vital dentro do que é
vital. A regra de 80/20 é a primeira palavra, mas não a última, sobre o sucesso. O
que Pareto começou você tem que terminar. O sucesso requer que você siga o
Princípio de 80/20, mas você não tem de parar aqui.
FIG 5 Não importa com quantas tarefas você comece uma lista, tem
sempre como simplificá-la e ficar com apenas uma.
Continue em frente. Dá para tirar 20% dos 20% dos 20% e continuar até
que você descubra qual é a coisa mais importante (veja a figura 5)! Não importa
qual é a tarefa, a missão ou o objetivo, seja grande ou pequeno. Comece com
uma lista tão extensa quanto quiser, mas cultive a ideia de que você vai reduzi-la
até o pouco que é mais importante, sem parar até chegar a o que é realmente
essencial. O que é imperativo. A ÚNICA Coisa.
Em 2011, convoquei uma reunião com nosso time-chave de executivos.
Embora estivéssemos crescendo muito rápido, ainda não éramos conhecidos
pelos grandões do nosso ramo. Desafiei nosso grupo a pensar em cem maneiras
de mudar essa situação. Levamos o dia inteiro para fazer uma lista. Na manhã
seguinte, nós a estreitamos para dez ideias, escolhendo apenas uma ideia
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